Floorplan, Soul of Hex, Anthony Naples, Andy Hart, Frank and Tony, recortes de sons inéditos, colagens bizarras e algumas pepitas selecionadas a dedo pelo crew da casa, para a série Alabama Tapes, dentro do Alabama Hotel Vintage Shop, que tem curadoria do time Easytiiger.

Dá o play na mix e confira a entrevista com André Palugan, um dos mentores do selo:

PALUGAN.: O selo Easytiiger surgiu no comecinho de 2014 – antes era um tumblr meu, que tinha pelo exercício de escrever sobre coisa legal. O selo mesmo veio de conversas com o Guto (Nunes). A gente tava discotecando juntos desde 2011 e eu sempre tive vontade de ter algo relacionado à música – desde o final dos 90, a ideia ficava na cabeça e nunca ia pra fora. Em dezembro de 2013, um amigo em comum, André (Sakr), que viria a ser o terceiro sócio do selo, mostra uma proto versão do single da banda dele. Era People Get Together, da Our Gang. Mostrei pro Guto e a conexão com o que a gente tava pensando em mergulhar na época foi instantânea: nem só rock, nem só eletrônico, nem só groove, nem só esquisitices. That’s it, nascia a Easytiiger. Não sei direito o motivo dos dois ís, só sei que ajuda na hora de buscar no Google, hahaha.

PALUGAN.: Não sei se a gente se encaixa (não se encaixar é o novo se encaixar?). A minha ideia básica do começo, e depois com os outros dois sócios, é divulgar coisa foda que seja nossa cara. Como a gente também tem esse lado de lançar singles de djs, é natural pra gente virar pra outros amigos em comum, como o Rafael Cancian, da About Disco, por exemplo, e planejar um single ou remix dele pra algum artista nosso. Temos muitas coisas em produção e outras já prontas há algum tempo, mas estamos segurando até fecharmos a qualidade e a forma ideal de distribuição que buscamos. Isso pra gente é tão importante quanto os próprios lançamentos. A gente quer botar na rua coisas legais que a gente acredita e que estejam na mesma sintonia. E essa versatilidade de trabalharmos assim ajuda nesse sentido.


PALUGAN.:
Os próximos lançamentos são o primeiro single do Mootron e depois, a primeira coletânea do selo, já com novos nomes que a gente ficou maturando até a hora certa de lançar.  A priori, tudo o que sair vai ser digital, porém algumas coisas vão ser prensadas em vinil, como no caso da coletânea.

PALUGAN.: A Fábrica é uma festa mais focada nos djs que temos no selo e resolvemos também chamar uma galera que a gente ama e se identifica com a vibe. A gente já dividiu a primeira edição com o San Proper, um dj holandês que lança pela Rush Hour e é uma figuraça. Tocou durante 7 horas sem parar, foi insano. A segunda Fábrica a gente fez meses depois, e como o Eric Duncan tava na cidade, convidamos ele pra ser a grande estrela. Foi demais, o Duncan amou porque é exatamente o que ele costuma fazer em NY quando toca em festas menores e mais intimistas – palavras dele pra mim. E ele ama São Paulo, então foi como luva e mão. A resposta da galera foi ótima também, até porque todo mundo só foi embora porque a polícia chegou, às 8h da manhã, hahahaha.

A nossa primeira festa, a de lançamento do selo, foi em Florianópolis no carnaval de 2015 e chamamos a Selvagem pra tocar com a gente. Meses depois, fomos convidados pela Gop Tun pra abrir pro Justin Strauss, dentro de um vagão de trem, com o Lauer e o crew todo dançando no meio da galera. Foi incrível. A gente adora o que ambos fazem. E além de ser o “core” do selo, armar um evento neste formato encaixa mais no nosso universo.
Teaser da Fábrica II com Eric Duncan:

 


PALUGAN.: Olha, a gente quer nadar nesse mar sem se prender muito, mas acho que se tiver que escolher dois nomes que a gente ama lá de fora, esses são a DFA e a Mexican Summer. Ambos tem bandas de rock, eletrônica e você não consegue definir muito bem onde eles navegam, é o “é isso mas não é bem isso”. O importante é se equilibrar nesse fluxo. Agora, se for citar de história, vai longe. De West End, Stones Throw e Rush Hour até Scissor & Thread e Mr. Saturday Night, por exemplo, cada um com sua particularidade. Como aqui no Brasil a gente sabe que só quem tem muito amor pra fazer isso que a gente faz, tem uma galera incrível, desde Balaclava, Midsummer e 40% Foda/Maneiríssimo, com mais foco em rock, até o Sambaloco e Goma Gringa, que é da turma da eletrônica e grooves sinistros, respectivamente. Tá todo mundo no mesmo barco de correr na contramão do mercado. A galera é foda demais!

PALUGAN.: Próximos passos são botar em prática a ideia da coletânea e com ela, os lançamentos físicos. Os lançamentos vão ser tratados como casos isolados, ou seja, o que a gente acredita que tem mercado no exterior – em especial as produções de djs – vão ser propagados lá fora. Já a Fábrica não tem muita periodicidade, e vamos seguir nesse ritmo, quando a gente achar que é legal fazer, vai acontecer. Acho bom, cria um clima de expectativa na hora de anunciar um nome e local. Talvez exista num futuro próximo uma versão menor da festa, num formato um pouco diferente. Mas isso a gente detalha quando acontecer. O importante é mão na massa. Estamos começando agora um processo de produção de vídeos também que vai ser bem legal. Todo mundo do selo dá o sangue e horas e horas de planejamento pra poder executar legal o que a gente faz, seja lançamento ou festas. Senão, não teria graça.